Atendimentos virtuais ganham destaque na itinerância do TRT-8 em Chaves no Marajó

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No município a Justiça chega pelo celular com audiências realizadas via WhatsApp.

Fotografia de uma audiência trabalhista que reúne três pessoas presenciais e uma pela maneira remota.

17/3/2026 – Os atendimentos virtuais vêm transformando profundamente o acesso à Justiça na Amazônia, uma região marcada por grandes distâncias, desafios logísticos e comunidades muitas vezes isoladas, como é o caso do município de Chaves na ilha do Marajó. Nessa realidade, o deslocamento até centros urbanos como Macapá pode levar cerca de 8 horas de barco, ou até 30 horas até Belém.

O acesso presencial à Justiça sempre foi limitado, caro e, muitas vezes, inviável. E é justamente com a finalidade de reduzir barreiras geográficas históricas e permitir que cidadãos tenham acesso a atendimentos, audiências e orientações jurídicas sem a necessidade de longos deslocamentos que Tribunal Regional da 8ª região, que compreende os estados do Pará e Amapá, por meio do programa Justiça Itinerante, resolveu priorizar os atendimentos via celular.

Em dois dias de atividades, foram realizadas mais de 15 audiências com apoio da internet. Segundo o juiz do Trabalho Bruno Ítalo Sousa Pinto, a alternativa de usar vídeo chamadas pelo WhatsApp surgiu para atender pessoas que não conseguiam acessar audiências pelo Zoom, seja por dificuldades técnicas ou por limitações geográficas.

O magistrado destacou que “muitos moradores de comunidades ribeirinhas, como em Chaves, enfrentam viagens de até 10 horas de barco, o que dificulta o comparecimento presencial ou até o acesso às plataformas digitais. Assim, o uso do WhatsApp garante o acesso à Justiça, evitando o arquivamento de processos e prejuízos às partes envolvidas”, disse o magistrado.

Em todas as audiências realizadas por videoconferência, a Prefeitura de Chaves figura como parte reclamada nos processos. Para o advogado Camilo Canto, procurador do município, o uso da ferramenta digital contribui para dar maior celeridade às ações. Segundo ele, o município não se opôs à adoção da medida, especialmente diante das dificuldades de acesso ao fórum local, onde ocorre o mutirão. “O município, de forma alguma, se opôs ao uso dessa alternativa, até pela dificuldade de deslocamento ao fórum de Chaves, onde está sendo realizado o mutirão. O mais importante é solucionar a situação de cada servidor que reside em comunidades distantes, algumas a até 10 horas de viagem de barco”, destacou o procurador.

Encurtando distâncias

Para a servidora Maria Rosa Martins e seu esposo, José Luis Martins, moradores da localidade de Arapixi, a cerca de seis horas de barco da sede do município, o atendimento virtual facilitou o acesso à Justiça.

“É muito difícil para a gente chegar até Chaves. Além da distância, muitas vezes não há embarcações nem passagens disponíveis, e, pelo WhatsApp, ficou bem melhor. Graças a Deus, conseguimos resolver o nosso processo”, afirmou Maria Rosa.

Por outro lado, o modelo ainda enfrenta desafios. A conectividade limitada em áreas remotas, a falta de equipamentos e a exclusão digital podem restringir o acesso de parte da população. Por isso, o atendimento virtual tende a funcionar melhor quando combinado com ações presenciais e políticas de inclusão digital.

Os atendimentos virtuais não substituem totalmente a presença física na Amazônia, mas representam um avanço decisivo: aproximam a Justiça de quem mais precisa e tornam o sistema mais acessível, ágil e inclusivo

 

Fonte: TRT da 8ª Região

 

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